terça-feira, 27 de novembro de 2012

QUEIMA DE ARQUIVO.

              
                
    Dirceu Ayres

A presidente Dilma Rousseff decidiu mudar a estrutura do escritório da Presidência em São Paulo e acabar com o cargo de chefe do gabinete do órgão. Com isso, ficará extinto o posto que até então era ocupado por Rosemary Nóvoa de Noronha e toda a coordenação do escritório paulista passará a ser feita em Brasília. A decisão foi tomada por Dilma e comunicada durante a reunião de coordenação comandada por ela na manhã de segunda-feira, 26, no Palácio do Planalto. A presidente quer eliminar qualquer vestígio de influência da ex-assessora presidencial no escritório. Sindicâncias foram abertas em todos os órgãos envolvidos para apurar responsabilidades e, no caso do gabinete da Presidência, a presidente quer saber se há mais pessoas que agiam junto com Rose, como é conhecida Rosemary. Dilma quer dar o caso por encerrado, para poder voltar a tratar das questões de governo. Na reunião de coordenação, a avaliação é de que com a decisão tomada no sábado, 24, de demitir todos os indiciados, os estragos e respingos no governo foram contidos. A presidente mandou ainda passar um "pente-fino" nos pareceres elaborados pelos suspeitos investigados para verificar quem e o que eles afetavam. O Planalto tenta ainda se manter afastado dos pormenores do caso e demonstrar que não tem preocupação com as ameaças de Rose, que está inconformada com a forma como perdeu o poder. Ela já mandou recados avisando que "não vai cair sozinha". Comemoração. Em vários setores do Planalto, o clima era de comemoração com a derrocada de Rose, principalmente pela forma como a apadrinhada do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva agia. "Ela agia como se fosse a dona do escritório e não media esforços para dar demonstração do poder que tinha", comentou uma fonte palaciana. De temperamento forte, Rose ainda está muito nervosa e cada vez mais irritada, com a situação que está vivendo desde a última sexta-feira, 23, quando foi deflagrada a Operação Porto Seguro, da Polícia Federal. Demissão. A situação piorou nesta segunda, com a notícia da demissão de sua filha, Mirelle, nomeada por interferência dela para um cargo na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Por enquanto, apenas o seu ex-marido, José Cláudio Noronha, que desde 2005 foi contemplado com um cargo de assessor especial da Superintendência da Infraero em São Paulo, não será afastado. Ele, como todos os demais funcionários da Infraero em São Paulo, foi cedido à nova concessionária do Aeroporto Internacional de Guarulhos - que passou a administrá-lo em 14 de novembro - e estarão, até o dia 14 de fevereiro, em fase de avaliação pela empresa. Ex-presidente. Lula, que estava em viagem à Índia quando estourou o escândalo, já está de volta a São Paulo e nesta segunda despachava no instituto que leva seu nome na zona sul da capital paulista. Segundo sua assessoria, ele não iria se pronunciar sobre o caso. D. Marisa, esposa de Lula, não se dá com Rose e sequer ia ao escritório da Presidência na Avenida Paulista quando o marido despachava lá, para não encontrá-la. Em muitas ocasiões, Rose costumava acompanhar o então presidente em viagens oficiais. Mas havia sempre o cuidado de sua assessoria para que as duas não integrassem a mesma comitiva. (Estadão)(Coturno Noturno)

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